Gilberto Nascimento apontou mensagem sobre envio de planilhas ligadas ao potencial construtivo
A CPI do Jockey Club da Câmara Municipal de São Paulo ouviu, nesta terça-feira (23/06), representantes da Elysium Sociedade Cultural para aprofundar a investigação sobre contratos, documentos e prestações de contas ligados às obras de restauro realizadas no clube.
Um dos principais pontos da reunião foi o questionamento feito pelo presidente da comissão, vereador Gilberto Nascimento (PL), a Wolney Unes, diretor-técnico da Elysium. O parlamentar apresentou um e-mail fornecido à CPI pela Carollo Arquitetura e Restauro, empresa contratada pelo Jockey Club para reunir e apresentar informações sobre as obras executadas no clube.
No e-mail, eram solicitadas documentações relacionadas ao TDC, sigla para Transferência do Direito de Construir. Segundo o questionamento feito na comissão, Wolney respondeu à mensagem afirmando que encaminharia documentos e planilhas. O depoente, porém, sustentou que respondia apenas às demandas feitas pelo Jockey Club e que os materiais enviados diziam respeito exclusivamente às obras realizadas com incentivo da Lei Rouanet.
Wolney afirmou ainda que, embora desconhecesse a Carollo Arquitetura e Restauro e Roberto Demenato, citado em apurações anteriores como intermediador em negociações envolvendo o potencial construtivo do Jockey Club, encaminhou os documentos que, segundo ele, haviam sido combinados no dia anterior.
A informação ganhou relevância porque o depoente afirmou que a atuação da Elysium no Jockey Club ocorreu exclusivamente por meio da Lei Rouanet e disse que, à época, não conhecia o significado de TDC. Para Gilberto Nascimento, a CPI precisa esclarecer se documentos produzidos no âmbito de obras realizadas pela Lei Rouanet foram usados, direta ou indiretamente, em prestações de contas relacionadas ao TDC.
“Esse é um ponto central da investigação. A CPI está buscando entender qual documentação foi produzida, para quem foi enviada e se esses documentos foram usados para justificar recursos de outra natureza. A cidade de São Paulo precisa dessa resposta”, afirmou o vereador.
Gilberto também lembrou que o Jockey Club acumula uma dívida estimada em R$ 830 milhões com a cidade de São Paulo. Segundo o parlamentar, esse valor seria suficiente para construir 83 UBSs na capital.
“Quando falamos de uma dívida dessa dimensão, estamos falando de dinheiro que poderia voltar em serviço público para a população. O papel da CPI é apurar com responsabilidade, separar o que foi regular do que precisa ser explicado e dar transparência a tudo o que envolve esse caso”, destacou.


Depoimento
Durante o depoimento, Wolney afirmou que atuava na prospecção da Elysium. Segundo ele, embora a empresa seja de Goiânia, havia interesse em desenvolver projetos em São Paulo. Foi nesse contexto que ocorreu a aproximação com o Jockey Club.
Ele disse que foi recebido inicialmente por Benjamin Steinbruch, empresário que presidia o Jockey Club à época dos fatos, e que, a partir desse contato, a Elysium realizou três obras no clube com incentivo da Lei Rouanet.
Wolney afirmou que todas as obras foram entregues com medição correta e dentro dos valores estipulados. Questionado, disse que não se lembrava dos valores exatos, mas afirmou que os documentos são públicos e que encaminhará as informações à CPI.
O depoente também negou ser sócio da Construtora Biapó, afirmando que havia apenas relação contratual com a empresa – a empresa depôs na semana anterior, reconhecendo a execução dos serviços no Jockey Club. Disse ainda que nunca esteve pessoalmente com Igor Gabriel de Souza Carollo, sócio-administrador da Carollo Arquitetura e Restauro, e que não conhece Roberto Demenato. Sobre Benjamin Steinbruch, afirmou que a relação era apenas profissional.
Elysium
A reunião também deu continuidade ao depoimento de Giulyane Nogueira Gomes, representante da Elysium. O advogado da depoente, Gabriel Reis, afirmou que ela estava disposta a colaborar com a CPI e mencionou que ela ingressou com ações judiciais após denúncias serem veiculadas em diversos órgãos da imprensa.
Questionada, Giulyane confirmou que foi diretora executiva da Elysium entre 2019 e 2022, período em que ocorreram obras no Jockey Club. A informação foi considerada relevante porque a CPI busca identificar quem tinha responsabilidade formal e operacional pela empresa durante a execução dos contratos investigados.
Ela afirmou que a Elysium tem 35 anos de atuação, não possui débitos e que os documentos foram assinados de acordo com os contratos, exclusivamente para a Lei Rouanet.
Segundo ela, a forma de contratação de empresas prestadoras de serviço pela Elysium (Construtora Biapó, Engenho Arte, Sapé e Jornal A Redação), foram feitas com base no princípio da economicidade – embora todas sejam de Goiânia e a obra, em São Paulo. Sobre a Carollo Arquitetura e Restauro, porém, disse que a empresa não era contratada da Elysium e que se lembrava do sobrenome Carollo por causa de trocas de e-mails.

Próximos passos
Durante a reunião, a CPI também aprovou requerimentos para dar sequência às apurações, com foco na obtenção de informações, documentos e esclarecimentos necessários ao avanço da investigação.
A comissão deve realizar visita técnica ao Jockey Club, com a empresa Biapó, após a conclusão dos depoimentos desta etapa. A medida tem o objetivo de confrontar as informações prestadas nas oitivas com a situação das obras e dos espaços mencionados ao longo da investigação.
A CPI do Jockey Club investiga a regularidade fiscal e imobiliária das atividades do Jockey Club de São Paulo, a gestão de débitos tributários, a alienação de potencial construtivo e a atuação do Poder Público.
A comissão é presidida pelo vereador Gilberto Nascimento (PL). O vice-presidente é Sansão Pereira (Republicanos) e o relator é Carlos Bezerra Jr. (PSDB). Também integram a CPI os vereadores Roberto Tripoli (PV), Kenji Ito (Podemos), Jailson Silva (PT), Luana Alves (PSOL), Dr. Milton Ferreira (Podemos) e Silvinho Leite (União Brasil).
Fotos: Richard Lourenço | Rede Câmara SP


