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domingo, 7 junho 2026
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Com mais 120 dias de prazo, CPI do HIS promete levar empresários à força para depor

Reunião desta quinta intensifica a pressão sobre convocados e marca a fase mais rígida da investigação

A reunião desta quinta-feira da CPI do HIS marcou um novo estágio no tom da investigação. Três convocados — Yorki Oswaldo Estefan (presidente do Sinduscon e representante da Conx/Conquis Empreendimentos Imobiliários), Carlos Alberto Veronetto e Juan Ramon Galan Garcia Salgado (ligado à Vitor One/Vita Urbana) — não compareceram, repetindo um padrão de ausências que tem motivado o endurecimento da postura da comissão. Eles integram a mesma lista de empresários mencionada na reunião anterior, composta por nomes que já descumpriram convocações e que permanecem sob risco de serem levados à força para depor, caso sigam ignorando a CPI. Para os vereadores, a falta recorrente de depoentes demonstra resistência em colaborar com a investigação e reforça a necessidade de medidas mais rígidas para garantir o andamento dos trabalhos.

Diante da sequência de faltas registradas na reunião de hoje, a CPI aprovou diligências nos empreendimentos Vivaz, na Freguesia do Ó, e no HIS da Avenida Itaberaba, além de novas convocações remotas — justificadas pelos depoentes por estarem fora da cidade, embora os empreendimentos investigados estejam em São Paulo. A justificativa gerou críticas e reforçou a suspeita de tentativa de ganhar tempo. A comissão também aprovou a intimação ao presidente do Sinduscon, garantindo que, em caso de nova ausência, poderão ser adotadas imediatamente as medidas cabíveis, incluindo o pedido para que seja levado à força para prestar depoimento.

O vereador Isac Félix (PL) foi direto ao criticar a postura de Yorki Estefan, que pediu acesso aos autos afirmando desconhecer o tema investigado. “Não é sério que alguém que representa empresas, incorporações e um sindicato inteiro diga que não sabe do que se trata. Aqui ele não vai enganar ninguém”, afirmou. Segundo Isac, a tentativa de se eximir das responsabilidades é grave e não será tolerada pela CPI: “Quando um representante desse porte tenta fugir da convocação e posa de desinformado, isso tem nome. É picareta. E isso será levado ao Ministério Público.” O vereador reforçou que a comissão seguirá firme: “Se ele representa empresas e um sindicato que atuam diretamente no setor que estamos apurando, então tem obrigação de vir aqui. Vamos buscá-lo para depor.”

O avanço da CPI ocorre após o Plenário aprovar, na sessão de ontem, a prorrogação por mais 120 dias das investigações, garantindo tempo para aprofundar a análise documental, realizar diligências e assegurar que todos os envolvidos sejam ouvidos. A prorrogação foi considerada essencial diante das repetidas ausências e da complexidade dos contratos e benefícios analisados.

A CPI apura possíveis irregularidades em empreendimentos de Habitação de Interesse Social (HIS) que teriam recebido incentivos públicos, mas vendido unidades para perfis que não se enquadravam no programa, indicando possível desvio de finalidade. Desde o início dos trabalhos, a comissão já expediu 89 convites, 138 requerimentos de informação e 78 intimações, demonstrando o esforço para reconstruir o fluxo de decisões e identificar eventuais responsabilidades.

Mesmo com o volume expressivo de ações, a ausência de depoentes segue sendo o principal entrave — motivo pelo qual a CPI endureceu o rito e deixou claro que, a partir de agora, convocados que não comparecerem poderão ser levados à força até a Câmara para prestar esclarecimentos.

Fotos: Douglas Ferreira – @Doug_raw | REDE CÂMARA SP

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