Depoimento revela possível irregularidade na cadeia de distribuição; comissão investiga mortes após consumo de bebidas supostamente adulteradas.
A CPI do Metanol da Câmara Municipal de São Paulo avançou nesta terça-feira (31) com o depoimento coercitivo do proprietário do Torres Bar, José Rodrigues. Durante a oitiva, ele admitiu comprar bebidas alcoólicas sem nota fiscal, revelando possíveis irregularidades na cadeia de distribuição de bebidas na capital.
O caso está diretamente ligado à investigação de duas mortes ocorridas após o consumo de bebidas supostamente adulteradas no estabelecimento no final de 2025. A comissão apura a origem, a comercialização e as falhas na fiscalização de bebidas alcoólicas em bares e estabelecimentos da cidade.
Rodrigues afirmou que adquiria os produtos de um distribuidor identificado como Claudionor Bergamacho. Ele confirmou conhecer as vítimas — Marcos Antônio Jorge Junior (46) e Ricardo Lopes Mira (54) —, que eram clientes frequentes do bar, e revelou que até mesmo os funcionários do local consumiam as mesmas bebidas.
A presidente da CPI, vereadora Zoe Martínez (PL), questionou o fato de o depoente só ter comparecido após determinação judicial. Rodrigues alegou problemas de saúde. “Me causa estranheza que o senhor tenha passado mal justamente nos dias de CPI. Agora, além da suspeita de bebidas adulteradas, também há indícios claros de sonegação fiscal”, declarou a parlamentar.
O Torres Bar voltou a funcionar, mas atualmente comercializa apenas cervejas, sem oferecer bebidas destiladas.


Outro depoimento reforça investigações
Também depôs Ricardo dos Santos Pereira, representante do Empório Santos. Ele informou que o caso está sob investigação da Polícia Civil e que tem colaborado com as autoridades. Pereira relatou que a margem de lucro na venda de gim era de cerca de R$ 15 por garrafa (compra por R$ 115 e revenda por R$ 130), valor que, segundo ele, estaria dentro do padrão de mercado.
A vereadora Zoe Martínez cobrou a ausência de resposta do comerciante a mensagens de clientes que relataram problemas de saúde após consumir a bebida — incluindo o caso que levou à morte de Rafael Santos (29). Pereira admitiu não ter respondido na época, alegando momento de tensão.
“Estamos mostrando que o senhor foi avisado, não deu retorno e que o produto consumido não tinha nota fiscal, apenas um recibo de compra”, enfatizou a presidente da CPI.
A comissão agora busca esclarecer possíveis conexões entre os estabelecimentos e toda a cadeia de fornecimento das bebidas.
Emoção marca sessão com familiares das vítimas
A sessão foi marcada por forte comoção. Helena, mãe de Rafael Santos, relatou em depoimento emocionado a dor de acompanhar o sofrimento do filho por 53 dias. “Eu morri junto com ele em outubro do ano passado”, desabafou.
As famílias das vítimas acompanham de perto os trabalhos da CPI e cobram celeridade e responsabilização rigorosa por parte das autoridades.
A CPI do Metanol, presidida pela vereadora Zoe Martínez (PL), segue investigando para identificar falhas na fiscalização, punir responsáveis e prevenir novas tragédias causadas por bebidas adulteradas em São Paulo.
Foto: Divulgação Liderança do PL – Paty Iglesias


