São Paulo, 28 de abril de 2026 – A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Jockey Club da Câmara Municipal de São Paulo realizou, nesta terça-feira (28), mais uma sessão em que se investigou, majoritariamente, o uso de recursos provenientes da Transferência do Direito de Construir (TDC) e o cumprimento das contrapartidas exigidas para preservação do patrimônio tombado.
A primeira oitiva do dia foi de Marina Prado, técnica do Departamento do Patrimônio Histórico (DPH), responsável pela avaliação da documentação e por vistoria realizada no clube .
O relatório feito pela servidora, concluído em 24 de julho de 2025, aponta que o volume de obras executadas não corresponde aos valores obtidos com a venda de potencial construtivo. Segundo a análise, o Jockey Club recebeu cerca de R$ 65 milhões, mas a vistoria não comprovou a realização das obras de restauro, além de prestação de contas irregular com milhares de notas fiscais com carimbos da lei Rouanet e sem detalhamento suficiente para aferir a correta aplicação dos recursos.
Ricardo Vaz Guimarães de Rosis, da Divisão de Preservação do DPH, confirmou a existência de uma planilha apresentada pelo Jockey para comprovar a destinação dos recursos, mas sem a correspondente documentação fiscal que comprove a execução das obras.
O cenário reforça questionamentos levantados em sessões anteriores. Em março, a arquiteta Ana Marta Ditolvo, da empresa Ambiência, citada em planilhas fornecidas pelo Jockey Club, participou de uma das sessões da CPI e afirmou não ter prestado nenhum serviço para o clube no âmbito do TDC.


Depoimento levanta questionamentos sobre responsabilidade contratual
Na sequência, a comissão ouviu Igor Gabriel Carollo de Sousa, proprietário da empresa Carollo Arquitetura e Restauro. Ele afirmou ter sido contratado pelo presidente do Jockey Club, Marcelo Marques, em 2024, com encerramento do vínculo em maio de 2025, após o não recebimento de valores que, segundo ele, somam cerca de R$ 100 mil.
O depoente declarou que sua atuação se limitava à produção de registros fotográficos das obras — imagens de “antes e depois” —, sem responsabilidade sobre análise financeira ou conferência de notas fiscais. Afirmou ainda que os documentos fiscais foram apresentados pelo próprio Jockey Club e que a planilha mencionada foi elaborada pela Elysium Sociedade Cultural, com sede em Goiânia. Sua participação nesse processo, segundo ele, se restringiu ao transporte e entrega dos materiais.
Questionado pelos vereadores, o depoente reforçou não ter responsabilidade sobre a validação dos documentos. Os parlamentares, no entanto, destacaram que ele possuía procuração em nome do Jockey Club — o que, segundo a comissão, indica um nível formal de responsabilidade na representação da entidade.
“Seguimos buscando entender os valores apresentados e aquilo que ainda não foi comprovado, para que a investigação avance”, afirmou o presidente da CPI, vereador Gilberto Nascimento.
A CPI do Jockey Club foi instaurada para investigar dívidas tributárias no valor aproximado de R$ 830 milhões, mas o uso irregular de recursos provenientes da Transferência do Direito de Construir pelo Jockey, entrou também no radar da comissão.
A reunião desta terça-feira contou com a presença de todos os membros da comissão: Presidente: Gilberto Nascimento | Vice-presidente: Sansão Pereira | Relator: Carlos Bezerra Jr.
Membros: Roberto Tripoli, Kenji Ito, Jailson Silva, Luana Alves, Dr. Milton Ferreira e Silvinho Leite.
Fotos: Divulgação Liderança do PL Paty Iglesias


