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CPI do Jockey ouve relator do CONPRESP e empresário sobre operação milionária de TDC

São Paulo, 5 de maio de 2026 — A CPI do Jockey Club realizou nesta terça-feira (5), na Câmara Municipal de São Paulo, mais uma reunião para aprofundar as investigações sobre as operações de Transferência do Direito de Construir (TDC) do clube. A apuração envolve valores que superam R$ 65 milhões e busca esclarecer se os recursos foram de fato aplicados na conservação da área tombada, conforme exige a legislação.

Conpresp

A reunião ouviu Wilson Levy Braga Chorilli Neto, relator do CONPRESP, e o empresário Dario de Abreu Pereira Neto, proprietário de construtora que adquiriu potencial construtivo em operação milionária com o Jockey Club.

Durante a oitiva, Wilson Levy afirmou que, no momento da análise do processo do Jockey, não se sentiu seguro para emitir parecer técnico por considerar que não havia subsídios suficientes. Por esse motivo, converteu o processo em diligência e o devolveu à área técnica (DPH) para complementação das informações.

Segundo ele, o encaminhamento foi feito em abril de 2025 e, desde então, não teve mais acesso ao processo. Levy explicou que o instrumento analisado pelo CONPRESP é o termo de compromisso e ressaltou que o procedimento continha cerca de 10 mil páginas, destacando ainda que a análise integral não é competência direta do conselho.

Questionado pela CPI, afirmou que, em cerca de cinco anos de atuação no CONPRESP, não se recorda de processos que tenham sido negativados pelo órgão, embora tenha ponderado que se tratava de uma avaliação de memória diante do grande volume de processos.

Já o empresário Dario de Abreu Pereira Neto informou à CPI que a sua construtora adquiriu 6.678 m² de TDC, em operação estimada em cerca de R$ 18 milhões, para viabilizar um empreendimento residencial de alto padrão em SP.

De acordo com o depoente, a negociação foi intermediada pelo corretor Roberto Demenato, responsável por conduzir todo o processo entre as partes. Dario relatou que a empresa realizou pagamento relacionado à aquisição de potencial construtivo e efetuou um sinal superior a R$ 8 milhões ao Jockey Club, com previsão de entrega da documentação em até 90 dias.

No entanto, a documentação não foi entregue no prazo. Diante disso, a construtora contratou assessoria jurídica para buscar informações e tentar reaver os valores pagos.

O advogado da construtora, Marcelo Manhães, que acompanha o caso, informou que esteve no DPH (Departamento do Patrimônio Histórico) para obter esclarecimentos, já que a empresa não tinha acesso aos autos. Ele reforçou que o objetivo é a devolução dos valores pagos.

Durante a reunião, o empresário entregou à CPI cópias dos contratos da negociação. Foi mencionado ainda que o corretor Roberto Demenato teria recebido valores superiores a R$ 1,3 milhão pela intermediação da operação.

O presidente da CPI, vereador Gilberto Nascimento, destacou que os depoimentos contribuem para esclarecer o trajeto dos documentos, pareceres e valores envolvidos nas operações investigadas.

“Seguimos avançando para entender cada etapa desse processo, desde a análise técnica até a destinação dos recursos. A CPI tem o papel de buscar transparência, identificar responsabilidades e garantir que o que deveria ser revertido para a preservação do patrimônio da cidade seja devidamente comprovado”, afirmou.

A comissão ainda despachou requerimentos para dar continuidade aos trabalhos. A CPI do Jockey Club é presidida pelo vereador Gilberto Nascimento, tem como vice-presidente o vereador Sansão Pereira e relator o vereador Carlos Bezerra Jr. Também integram a comissão os vereadores Roberto Tripoli, Kenji Ito, Jailson Silva, Luana Alves, Dr. Milton Ferreira e Silvinho Leite.

Fotos: Divulgação Liderança do PL – Paty Iglesias

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