São Paulo, 12 de maio de 2026 — A CPI da Habitação de Interesse Social (HIS) da Câmara Municipal de São Paulo ouviu, nesta terça-feira (12), Guilherme Sallum Nahas, presidente da Diálogo Engenharia e Construção S/A, em reunião que também definiu prazo até 19 de maio para apresentação do relatório final da comissão.
A empresa foi chamada a prestar esclarecimentos sobre empreendimentos que contemplam unidades destinadas à Habitação de Interesse Social. Segundo informações apresentadas à comissão, a Diálogo atua no mercado imobiliário paulistano desde 1987 e já entregou mais de 22 mil unidades habitacionais. Do total de 22.850 unidades construídas, 587 são destinadas à HIS, em sua maioria enquadradas como HIS 2.
A construtora também se comprometeu a encaminhar relatório complementar especificando quais unidades se enquadram como HIS 1, HIS 2 e HMP. Outro ponto tratado na reunião foi o procedimento adotado pela empresa para análise dos compradores. O representante afirmou que há um departamento responsável por verificar se os interessados atendem aos critérios exigidos pela política habitacional.
Durante a reunião, a CPI também questionou a empresa sobre produção atual, regulamentação da política habitacional e práticas de permuta em empreendimentos que envolvem unidades de interesse social.

A manifestação mais firme do vereador Isac Félix (PL) ocorreu após questionamentos sobre permutas e modelos de empreendimento. O presidente da Diálogo afirmou inicialmente que a empresa não realiza permuta especificamente em projetos de HIS, mas explicou, em seguida, que esse tipo de negociação pode ocorrer em determinados empreendimentos, como os enquadrados no modelo R2V ou com lojas de fachada ativa.
Diante das respostas, Isac cobrou clareza e objetividade “Aqui é uma CPI. Nós estudamos os documentos, acompanhamos as denúncias que chegaram a esta Casa e estamos encontrando situações que precisam ser esclarecidas. O que não dá para aceitar é habitação que deveria atender o povo sendo vendida para quem quer apenas lucrar”, disse.
O vereador também relacionou a apuração à realidade das famílias que enfrentam dificuldade de acesso à moradia em São Paulo. Segundo ele, os instrumentos criados pelo poder público para viabilizar unidades de interesse social precisam retornar em benefício da população. “Eu sou da periferia, ando na periferia e sei o que falta para a população. Enquanto há famílias sem moradia digna, não podemos aceitar que imóveis de interesse social deixem de cumprir sua finalidade”, afirmou.
Relatório final
Além da oitiva da Diálogo, a reunião marcou a entrada da CPI na reta final. A comissão aprovou requerimento que fixa prazo até 19 de maio para apresentação do relatório final, documento que deverá consolidar as informações reunidas ao longo da investigação e indicar encaminhamentos aos órgãos competentes.
A CPI apura possíveis distorções na destinação, comercialização, ocupação e repasse de unidades enquadradas como Habitação de Interesse Social (HIS) e Habitação de Mercado Popular (HMP) na capital. O objetivo é verificar se imóveis criados com regras e benefícios voltados à moradia acessível estão, de fato, atendendo a população que se enquadra nos critérios da política pública.
Na avaliação de Isac Félix, a CPI cumpriu seu papel ao investigar denúncias, reunir documentos, ouvir representantes do setor e cobrar providências. O vereador destacou, no entanto, que a fiscalização sobre a política habitacional deve continuar mesmo após o encerramento formal dos trabalhos.“A nossa parte, como vereadores, foi feita. O que chegou até nós, nós investigamos, estudamos e encaminhamos. Mas isso não para aqui. Vamos continuar acompanhando, porque quem mais precisa dessas moradias precisa ter seu direito atendido”, afirmou.
Segundo Isac, a CPI já produziu resultados antes mesmo da apresentação do relatório final. O parlamentar afirmou que o trabalho da comissão deu respaldo a compradores que buscavam informações junto a empresas, contribuiu para a revisão de situações e chamou a atenção de órgãos de controle.
O parlamentar também agradeceu o apoio técnico recebido ao longo dos trabalhos, especialmente dos servidores e da Procuradoria do Município, que colaboraram com a análise de informações e documentos.“Ninguém faz nada sozinho. Foram muitos dias de trabalho, muitos depoimentos e muitas informações analisadas. Agradeço aos funcionários e à Procuradoria do Município, que colaboraram bastante com a CPI”, completou.
Além de definir o prazo para o relatório final, a CPI aprovou novos requerimentos de informação para aprofundar a análise sobre repasses financeiros, ocupação e finalidade das unidades HIS e HMP na capital. Ao longo dos trabalhos, a comissão reuniu cerca de 10 mil páginas de documentos e identificou irregularidades, inclusive em plataformas de locação incompatíveis com a política de Habitação de Interesse Social.
A CPI da Habitação de Interesse Social é presidida pelo vereador Rubinho Nunes, tem como vice-presidente Nabil Bonduki e relatoria de Dr. Murillo Lima. Também integram o colegiado os vereadores Gabriel Abreu, Isac Félix, Marcelo Messias e Silvia da Bancada Feminista.
Fotos: Lucas Bassi


