Reunião desta terça-feira discutiu atendimento às vítimas, prevenção, controle de bebidas irregulares e reciclagem; mães de dois jovens mortos após intoxicação relataram sofrimento e falta de respostas.
A CPI do Metanol da Câmara Municipal de São Paulo ouviu nesta terça-feira (11) especialistas e representantes dos setores de restaurantes e reciclagem sobre os impactos da crise, o atendimento às vítimas, medidas de prevenção e o descarte de embalagens. A reunião também abriu espaço para o depoimento de duas mães que acompanham os trabalhos da comissão e perderam os filhos após intoxicação por metanol. Meses depois das mortes, elas ainda cobram respostas e responsabilização.
Telínes Basílio, o Carioca, diretor-presidente da CONAREC, chamou a atenção para a baixa atratividade econômica da reciclagem do vidro. Segundo ele, o material chega a valer cerca de R$ 0,20 por quilo, aproximadamente 50 vezes menos que o alumínio, o que reduz o interesse pela coleta.
Basílio informou ainda que São Paulo conta com 29 cooperativas e mais 30 incubadas, além de ações de apoio à regularização de catadores independentes. Segundo ele, cerca de 70% dos catadores trabalham e comercializam materiais de forma irregular. O dirigente defendeu mecanismos para reduzir a informalidade e a exploração da mão de obra, ressaltando que a atividade regularizada contribui para o descarte correto, a geração de emprego e renda e a preservação ambiental.
Já Iasmin C. Freitas, gerente jurídica e de governança da Associação Nacional de Restaurantes (ANR), afirmou que o setor reforçou campanhas de orientação e mantém protocolos para identificar produtos ilegais ou irregulares. A entidade também compartilha boas práticas de descarte entre os estabelecimentos.
Tratamento precisa começar o quanto antes
Na área da saúde, o oftalmologista Felipe Casseb, da Santa Casa de São Paulo, explicou que houve dificuldade no início da identificação dos casos, mas que esse cenário foi rapidamente superado com a adoção de uma abordagem específica para os pacientes.
Segundo o médico, a terapêutica precisa começar o mais cedo possível, porque o tempo até o início do tratamento pode interferir diretamente no resultado visual. Ele relatou que grande parte dos pacientes chegou ao atendimento com mais de um mês de evolução da doença e que nem todos responderam à reabilitação visual.
Casseb informou ainda que a Santa Casa não recebeu novos casos recentemente.



Famílias ainda esperam por justiça
As mães de vítimas que acompanham os trabalhos da CPI foram convidadas a dar seus testemunhos. Daniele, mãe de Guilherme Torres da Silva, de 22 anos, relatou os cerca de dez meses de complicações enfrentados pelo filho após a intoxicação. Segundo ela, Guilherme havia pedido a bebida por delivery de uma adega. Durante o tratamento, ele contraiu uma bactéria e a família encontrou dificuldades para conseguir no SUS o suporte necessário. Guilherme morreu em junho deste ano.
Helena dos Anjos Martins da Silva, mãe de Rafael dos Anjos Martins, de 28 anos, falou sobre a impotência de ainda não ver responsáveis punidos. Rafael morreu em outubro de 2025, depois de permanecer mais de 50 dias internado após a intoxicação.
Os relatos emocionaram a presidente da CPI, Zoe Martínez (PL). Ela afirmou que a comissão tem feito o possível para avançar nas apurações e informou que busca apoio da Defensoria Pública para oferecer auxílio jurídico às famílias.
“É difícil não se sentir impotente diante de tanta tristeza que causaram a essas famílias”, afirmou Zoe.
A reunião contou ainda com a participação da vice-presidente da CPI, Ely Teruel (MDB), e da da relatora, Sandra Santana (MDB).
Fotos: Liderança do PL (Paty Iglesias)


