São Paulo, 12 de maio de 2026 — A CPI do Metanol da Câmara Municipal de São Paulo avançou, nesta terça-feira (12), em uma das frentes mais sensíveis da investigação: entender por onde passam as bebidas falsificadas, quem se beneficia desse mercado clandestino e que medidas podem impedir que produtos adulterados continuem chegando ao consumidor.
Presidida pela vereadora Zoe Martínez (PL), a comissão ouviu representantes do Sindbeb (Sindicato dos Trabalhadores em Depósitos de Distribuição de Bebidas) e da ABBD (Associação Brasileira de Bebidas Destiladas). A reunião tratou de fiscalização, descarte de garrafas e vasilhames, circulação de produtos sem nota fiscal e endurecimento das punições contra falsificadores.
Para Zoe Martínez, o papel da CPI é ir além da constatação do problema. A comissão quer identificar as brechas que permitem a circulação de bebidas adulteradas e apontar caminhos para proteger a população.“Não estamos falando apenas de uma irregularidade comercial. Bebida adulterada coloca vidas em risco, prejudica o consumidor, afeta empresas sérias e fortalece uma cadeia criminosa que precisa ser enfrentada com fiscalização, informação e punição adequada”, afirmou Zoe.
A presidente da CPI destacou que o trabalho do colegiado busca separar o setor formal de quem atua na clandestinidade. “Quem trabalha dentro da lei também é vítima desse mercado ilegal. A CPI quer saber onde estão as falhas, como esses produtos chegam aos estabelecimentos e o que o poder público pode fazer para fechar esse caminho”, completou.

Sindicato nega falha
O primeiro depoente foi José Aparecido Biazon, presidente do Sindbeb. Ele afirmou que o sindicato não havia levado informações solicitadas anteriormente por falta de pedido formal, mas se comprometeu a encaminhar os dados à comissão.
Biazon explicou que a entidade reúne cerca de 1.800 sindicalizados, entre motoristas, ajudantes, operadores e trabalhadores administrativos. Questionado sobre possíveis falhas na distribuição de bebidas adulteradas, disse que a fiscalização não cabe aos trabalhadores e que o crime deve ser investigado pela polícia.
Segundo ele, as grandes empresas representadas pelo sindicato não falsificam bebidas e não fazem entregas sem nota fiscal. Para o representante, os produtos adulterados circulam fora da cadeia formal, comprados em operações clandestinas e sem documentação.

Punição mais dura
Na sequência, a CPI ouviu José Eduardo Cidade, presidente da ABBD. Ele afirmou que o mercado ilícito de bebidas existe há anos no Brasil e envolve contrabando, descaminho, sonegação fiscal, produtos substitutos e falsificação.
O representante da associação defendeu uma legislação federal mais rígida para punir quem falsifica bebidas e destacou a necessidade de integrar as ações de fiscalização. Também afirmou que, mesmo após a crise do metanol registrada no fim do ano passado, fiscalizações ainda encontram bebidas falsificadas em circulação.
Cidade também apontou temas que podem ser tratados no âmbito municipal, como o descarte de garrafas e vasilhames, considerado um ponto importante para reduzir o reaproveitamento irregular de embalagens por falsificadores.
Prevenção ao consumidor entra na pauta
Durante a reunião, os vereadores também discutiram medidas de orientação ao consumidor, como campanhas informativas em estabelecimentos comerciais, alertas sobre rótulos e procedência das bebidas e propostas para dificultar o reaproveitamento de garrafas.
A CPI apura a comercialização de bebidas alcoólicas adulteradas com metanol e álcool etílico em bares, restaurantes e estabelecimentos congêneres da cidade de São Paulo. A reunião desta terça-feira durou cerca de uma hora e meia, segundo a Câmara Municipal.
A composição completa da CPI do Metanol é formada por Zoe Martínez (PL), presidente; Ely Teruel (MDB), vice-presidente; Sandra Santana (MDB), relatora; Adrilles Jorge (União), Celso Giannazi (PSOL), Hélio Rodrigues (PT) e Sargento Nantes (PP).
Fotos: Richard Lourenço | Rede Câmara SP
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